quinta-feira, 7 de junho de 2012

Cuidar de si mesmo

Como é que você vê o mundo ao seu redor?

Se, de vez em quando, o mundo lhe parecer um tanto escuro, preste muita atenção, pois pode não ser bem assim.

E para que você perceba que tudo depende do jeito que a gente vê, vamos contar uma pequena história.

O jovem casal mudou-se para um bairro muito tranquilo. Na primeira

manhã que passavam em sua nova casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou no varal no qual a vizinha pendurava os lençóis lavados e comentou com o marido:

Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! Está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

O marido observou calado. Três dias depois, também durante o café da manhã, a vizinha pendurava seus lençóis e novamente a mulher comentou com o esposo:

Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

E assim, a cada três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal.

Passado um mês, a jovem esposa se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos e, empolgada, foi dizer ao marido:

Veja! Ela aprendeu a lavar as roupas! Será que a outra vizinha lhe deu sabão? Por que você não fez nada, não é mesmo?

O marido lhe respondeu calmamente:

Não, eu não lhe dei sabão nem fui ensiná-la a lavar roupas, meu bem. Acontece que hoje eu levantei mais cedo e lavei a vidraça da nossa janela! Creio que era a sujeira que impedia você de ver a brancura dos lençóis da nossa vizinha.

* * *

Pois bem, se você estiver vendo apenas coisas negativas nas pessoas ao seu redor, talvez seja interessante dar uma olhada na sua vidraça.

Tantas vezes o que pensamos ser uma mancha escura no vizinho, não passa de um ponto de vista equivocado ou de uma visão distorcida.

A nossa visão de mundo, portanto, depende da janela através da qual observamos os fatos. Ela pode estar manchada pelo lodo da inveja, pela poeira da incompreensão, pelos respingos do orgulho, ou algumas nódoas de mágoa.

Seria interessante que, antes de criticar, olhássemos primeiro a nossa situação: se estamos fazendo alguma coisa para contribuir ou se apenas nos limitamos a falar mal de coisas e pessoas.

E podemos começar olhando para os nossos próprios defeitos e limitações para poder entender e compreender as deficiências do semelhante.

Jesus chamou-nos a atenção dizendo que enxergamos facilmente o cisco no olho do próximo, mas não vemos a trave que tem no nosso.

Por essa razão é importante que, antes de lançar qualquer comentário infeliz sobre os outros, olhemos primeiro se a nossa janela está bem limpa e transparente.

* * *

Todas as criaturas, sem exceção, estão mergulhadas nas Leis Divinas.

Por isso, não devemos nos preocupar com as questões que não nos dizem respeito.

Deus, que é a Inteligência Suprema do Universo, tudo vê e a tudo provê.

Assim, se cuidarmos bem das nossas obras, da nossa semeadura, estaremos garantindo para nós mesmos um amanhã feliz.

sábado, 2 de junho de 2012

Desafio cotidiano

Cada manhã é um novo desafio. A forma que o encaramos reflete nossa postura perante as Leis Divinas.

Há os que despertam descontentes e contemplam as horas novas como uma carga, que deve ser transportada a qualquer custo.

Outros olham o dia que surge e logo alçam o pensamento em fervorosa prece de gratidão, pela renovação da vida no planeta.

Os primeiros são os pessimistas, que ainda não aprenderam a perceber a vontade de Deus no transcorrer dos acontecimentos.

Os segundos são os que se alicerçam na fé, cientes de que a vida deve ser vivida em plenitude.

Para os primeiros, tudo transcorre mal. Se o ônibus atrasa, se a chuva os surpreende em plena rua, se a fila do caixa do banco está morosa, tudo é motivo para reclamação e desconforto.

Abrem os jornais e conseguem somente destacar as manchetes ruins, desagradáveis, que falam de agressões, de desemprego, baixos salários, fugas ao dever, corrupção.

Os segundos conseguem vislumbrar em todo transtorno uma oportunidade de servir.

Assim, aproveitam o tempo para ler, enquanto aguardam na fila do ônibus ou do caixa. Ou então para um sorriso, um gesto de boa vontade.

Ante a intempérie, agradecem a bênção dos ventos, da água, do frio, reconhecendo-lhes o justo valor.

Numa dessas manhãs, ouvimos a conversa de um senhor já idoso e que demonstrava, pelos trajes, sua condição de dificuldade econômica.

Falava do salário que ganhava, aliás, tomara a condução justamente para se dirigir ao banco, a fim de sacar o valor de sua aposentadoria por invalidez.

Mostrava-se feliz. Não podia mais trabalhar, pela enfermidade que o incapacitara. Contudo, sentia-se feliz por estar andando com suas próprias pernas.

Comentou sobre o atendimento médico e farmacêutico que busca, dizendo-se satisfeito por sempre o atenderem muito bem.

Detalhou como conseguia sobreviver com o mísero salário, economizando, pesquisando preços, não se permitindo alguns produtos alimentares.

E sorria, dando graças a Deus.

Em verdade, observando aquele anônimo, fomos levados a cogitar acerca da forma com que estamos encarando nossos dias, nossos problemas, nossa vida.

Quantos possuem muito mais do que o idoso desconhecido e nada fazem além de reclamar?

Sábios são os que, em meio à adversidade, conseguem elaborar preciosas lições de vida, modelos que podem ser seguidos pelos que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir.

* * *

A maior tristeza que pode se abater sobre a criatura, rotulando-a, fomentando desditas para o seu espírito, é o mau aproveitamento das oportunidades que lhe concede o Criador, para evoluir e brilhar.

Meditemos sobre isso e cultivemos as alegrias de que necessitamos, nos nobres serviços do amor.